O Brasil não pode andar para trás.
É preciso avançar na defesa da democracia, na valorização do trabalho, na redução das desigualdades e na construção de um futuro com mais oportunidades para todos.
Por Francisco José de Oliveira – Cientista Social
A sabatina da Globo evidenciou a capacidade política, a experiência administrativa e a segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao abordar os principais desafios do Brasil. Diante dos questionamentos sobre o resultado do primeiro turno, a governabilidade, a economia, a segurança pública e as políticas sociais, Lula assumiu a responsabilidade pelos resultados de seu governo, reconhecendo os avanços conquistados e admitindo que ainda há muito a fazer. Essa postura revela uma compreensão realista da política: governar exige reconhecer problemas, apresentar soluções e manter o compromisso com a população.
Ao contextualizar os primeiros anos de sua gestão, Lula destacou o esforço de reconstrução do país após um período de enfraquecimento das políticas públicas e dos programas sociais. Sobre a governabilidade, ressaltou a importância da articulação com o Congresso Nacional para aprovar medidas de interesse público. Na política externa, defendeu a ampliação das relações comerciais e diplomáticas, reafirmando a importância de um Brasil soberano, capaz de dialogar com os Estados Unidos e com outras nações sem abrir mão de seus interesses nacionais.
Na segurança pública Lula reconheceu a necessidade de ampliar a participação do governo federal no enfrentamento à violência, respeitando as competências constitucionais e fortalecendo a cooperação entre União, estados e municípios. O problema exige políticas integradas, inteligência, investigação, prevenção e valorização dos profissionais da segurança. Ao abordar a maioridade penal manifestou-se favoravelmente à sua redução para 16 anos exclusivamente em casos de crimes hediondos, posição que merece debate público rigoroso, considerando os aspectos constitucionais, sociais e os resultados das políticas de prevenção da criminalidade.
Outro tema relevante foi a necessidade de fortalecer as instituições republicanas e aperfeiçoar os mecanismos de controle e responsabilização. As investigações envolvendo agentes públicos, empresários e instituições financeiras devem seguir critérios técnicos, respeitando o devido processo legal e à presunção de inocência. Nenhuma autoridade pode ser responsabilizada ou absolvida apenas por conveniência política. A transparência, a independência das investigações e a igualdade perante a lei são indispensáveis à credibilidade das instituições democráticas.
Na economia Lula defendeu a manutenção e o fortalecimento das políticas sociais, destacando a correção dos benefícios quando existe espaço fiscal. O Bolsa Família, o combate à fome e as iniciativas de apoio às famílias de baixa renda integram uma estratégia de redução das desigualdades. Diante do endividamento das famílias brasileiras o desafio é ampliar o acesso ao crédito responsável, reduzir os custos financeiros e recuperar o poder de compra sem transferir exclusivamente aos trabalhadores o peso dos ajustes econômicos.
A concepção econômica apresentada por Lula parte de uma questão fundamental: a distribuição da renda influencia diretamente o desenvolvimento nacional. Quando a riqueza fica concentrada nas mãos de poucos o consumo das famílias, as oportunidades e a mobilidade social são prejudicados. Quando a renda circula entre milhões de brasileiros fortalece o comércio, estimula a produção e movimenta a economia. O crescimento econômico, portanto, precisa estar associado à geração de empregos, à valorização do trabalho e à redução das desigualdades sociais.
A energia elétrica também esteve entre os temas abordados, trazendo novamente ao debate o papel das privatizações e a responsabilidade do Estado na garantia de serviços essenciais. A discussão não deve se limitar à oposição entre público e privado, mas considerar tarifas, qualidade do serviço, investimentos, universalização do acesso e proteção dos consumidores. A energia é um insumo estratégico para a indústria, o comércio e a vida cotidiana, especialmente para as famílias de menor renda.
Na saúde Lula destacou a importância de recuperar e ampliar políticas públicas como o Sistema Único de Saúde (SUS), o Mais Médicos, a Farmácia Popular e os programas de ampliação da assistência especializada. Essas iniciativas são fundamentais para garantir o acesso da população aos serviços de saúde, sobretudo para as famílias que dependem exclusivamente do sistema público. O fortalecimento dessas políticas exige financiamento adequado, gestão eficiente e profissionais suficientes para atender às necessidades da sociedade.
A sabatina mostrou um presidente que procurou defender os resultados de seu governo sem ignorar as cobranças da sociedade. Sua experiência administrativa, sua capacidade de negociação e a defesa de políticas de inclusão social constituem elementos relevantes para o debate eleitoral. Ao mesmo tempo, a continuidade de um projeto de governo precisa ser acompanhada de compromissos verificáveis, transparência e disposição para corrigir falhas.
O Brasil enfrenta escolhas que ultrapassam a disputa entre nomes e partidos. Estão em discussão o papel do Estado, a distribuição da riqueza, a proteção dos direitos sociais, a qualidade dos serviços públicos e a soberania nacional. O desafio é construir um país que combine desenvolvimento econômico, responsabilidade fiscal, justiça social e fortalecimento da democracia.
Experiência política, defesa da soberania nacional e compromisso com a justiça social marcam a participação de Lula na sabatina da Globo em um debate sobre os desafios econômicos, sociais e institucionais do Brasil.

